Turbulência: entenda as causas desse fenômeno

Redação Nãovoei.com
Redação Nãovoei.com - 5 de março de 2018

Se você viaja com frequência, é bem provável que você já tenha passado por uma turbulência. Esse fenômeno deixa muitas pessoas preocupadas, afinal, a maioria desconhece suas causas e consequências.

O que é a turbulência, o que ela causa e o que deve ser feito quando ela acontece? Acompanhe o nosso post e descubra!

Turbulência: o que é, quais são as causas e os efeitos

É o nome que se dá à movimentação do ar (com correntes de ar ascendentes e descendentes) em grandes altitudes, fazendo com que a aeronave balance. Quando isso acontece, a temperatura sofre uma mudança brusca, seja na pressão do ar (o que acontece com frequência) ou na velocidade. Quando a mudança na pressão é prevista pelos radares, dá ao piloto a possibilidade de ajustar a aeronave para se adaptar a isso, por exemplo, mudando a posição dos flaps ou a potência das turbinas.

As nuvens de chuva são as causas mais comuns de turbulência. Isso porque, segundo Fernando Catalano, professor do curso de Engenharia Aeronáutica da USP, em São Carlos, dentro dessas nuvens ocorre uma grande variação de pressão. “O ar está virando em redemoinhos e variando sua velocidade em todos os sentidos, o que causa uma grande turbulência”, explica ele.

Os três tipos de turbulência são

1- Mecânica

Causada pelo fluxo do vento por meio de uma estrutura sólida (prédios, montanha, morros, hangares de aeroportos).

2- Esteira mecânica

A passagem de um avião grande causa uma mudança na velocidade dos ventos que gera um vórtex, criando a esteira de turbulência, também chamada de Wake Vortex Turbulence, que pode afetar os aviões que passarem pela mesma região logo na sequência. Normalmente, isso acontece no momento dos pousos e das decolagens. É mais ou menos como um turbilhão de água que se forma atrás de um barco ou navio. As aeronaves são classificadas conforme sua esteira de turbulência, calculada com base no peso máximo de decolagem:

  • Leve: aeronaves com peso máximo de decolagem de 7.000 kg;

  • Médio: aeronaves com peso máximo de decolagem inferior a 136.000 kg e superior a 7.000Kg;

  • Pesado: aeronaves com peso máximo de decolagem acima de 136.000 kg.

Aviões grandes geram esteiras de turbulência maiores e muito violentas, porém aviões menores são mais prejudicados nesse caso. Por exemplo, o Boeing 757, de médio porte, não chega perto do tamanho de um 747.

Mas possui uma característica aerodinâmica do seu design que faz com que ele produza uma esteira de turbulência fora do comum. Apesar de ele ter peso para estar na categoria média, as autoridades o classificam como pesado, devido à sua esteira de turbulência. Para evitar que as aeronaves passem por esse tipo de turbulência, os controladores de tráfego aéreo colocam um espaço extra entre aviões grandes e pequenos.

Há ainda uma categoria especial para o Airbus A380 (pode transportar mais de 500 passageiros em sua configuração padrão), conhecida como Super, que é considerada acima da categoria pesado em razão do enorme vórtex gerado por ele. No início de 2017, um jato de negócios passou em um dos pontos mais violentos da esteira de turbulência deixada pelo A380, o que fez com que o jato perdesse o controle e mergulhasse por mais de 10.000 pés até os pilotos retomarem o controle da aeronave. O avião sofreu avarias e 8 dos 10 ocupantes sofreram ferimentos, um deles em estado grave!

3- Térmica

Causada pelas correntes de ar convectivas verticais, decorrentes do aquecimento diferencial do solo e da camada de ar acima dele. O transporte ou a transmissão do calor pelo deslocamento de massa atmosférica no sentido horizontal de ar frio sobre o solo mais quente pode também gerar correntes de ar convectivas verticais.

A melhor maneira de prever uma turbulência é o diálogo constante entre os pilotos, aliado ao uso do radar meteorológico, que mostra as áreas que podem ser perigosas para o voo. Esses radares capturam gotículas de gelo ou água presentes nas nuvens e mostram um panorama colorido que deve ser evitado e desviado pelo piloto para manter a segurança do voo.

Os radares têm a capacidade de detectar mudanças na densidade do ar, fazendo com que o piloto fique ciente da intensidade da turbulência que terá que enfrentar. Assim, o piloto pode decidir se tenta desviar da turbulência ou se seguirá em frente. O principal a se evitar, entre os retornos de radar, é a nuvem cúmulo-nimbo.

Turbulência derruba avião?

Essa é a primeira coisa que vem à mente dos passageiros quando o avião começa a chacoalhar. Mas é importante saber que esse fenômeno não causa queda, pois o veículo automotor é altamente preparado para passar por esse tipo de situação.

Mesmo quando o ar está ‘violento’, é impossível que ele jogue o avião no chão! Segundo Dan Guzzo, piloto de formação e gerente de segurança operacional da Gol, as aeronaves são construídas com materiais muito resistentes, desenvolvidos para suportar muito mais do que uma simples turbulência, tornando impossível que qualquer parte da fuselagem sofra avarias.

Durante uma turbulência, a altitude do avião, a inclinação do nariz e a inclinação de suas asas oscilam pouco. Na cabine de comando, por exemplo, o que se vê é uma pequena mudança no altímetro, que é inerente ao design das aeronaves e conhecida pelos pilotos como estabilidade positiva.

Se o avião sair de sua posição, sua natureza é voltar sozinho para a rota certa. Um caso raro aconteceu em 1966, quando uma turbulência derrubou um Boeing 707 próximo ao Monte Fuji (Japão). Com ventos de cerca de 225 km/h, não houve sobreviventes. Mas desde então houve uma grande evolução na engenharia das aeronaves.

O que fazer quando acontece uma turbulência

Durante a turbulência, é importante que todos sigam as recomendações de segurança para que ninguém sofra ferimentos. A principal delas é manter os cintos de segurança afivelados durante todo o voo.

Especialistas em segurança de voo enfatizam a necessidade dos passageiros de manter o cinto afivelado durante toda a viagem, pois a qualquer momento pode acontecer uma forte instabilidade, impossível de ser prevista pelos radares: a chamada turbulência de céu claro, quando acontecem as tesouras de vento.

Outro fator de risco são as nuvens cúmulo-nimbo, que têm um grande desenvolvimento vertical e causam fortes tempestades. No final de maio de 2009, um voo da TAM (Miami-São Paulo) passou por uma forte turbulência que deixou 22 passageiros feridos com fraturas e olho roxo.

Em agosto do mesmo ano, uma forte instabilidade atingiu o avião da Continental Airlines durante um voo Rio-Houston e tripulantes foram arremessados para fora de seus assentos e arremessados contra o teto. Mas entenda: o passageiro que se machuca durante uma turbulência não estava sentado corretamente e nem com cintos afivelados! Por isso, deve-se sempre obedecer todas as regras de postura durante o voo.

Quem se sente incomodado com as turbulências, sentar-se o mais perto das asas da aeronave pode ajudar a atenuar o efeito, pois nesse local é onde fica o centro de gravidade e sustentação do avião. Evite se sentar na traseira da aeronave, onde o chacoalhar da aeronave é maior. Outra dica é se distrair lendo um livro, uma revista ou ouvir música. Controlar a respiração também é bom para se acalmar!

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